domingo, 9 de novembro de 2008

Não grita, não gruda

Dicas para não se tornar o chato da balada.

Baseado em fatos reais – e recentes.

Dica # 1: Você quer conhecer a pessoa, certo? Você foi lá, tomou a coragem, pediu pra sentar do lado, se apresentou, deu beijinho no rosto e tudo mais. Então porque não deixar a pessoa falar um pouco? Monólogo é para peça de teatro, no máximo...

Dica # 2: Tente gravar o mínimo do que a pessoa acabou de dizer. Não precisa ser a informação completa, mas não serão pontos a favor perguntar três ou quatros vezes a mesma coisa. Se o grau alcoólico estiver um pouco mais alto e estiver difícil processar todas as informações, ok, é compreensível, mas mude a pergunta então, jogue algum verde, que não fique tão na cara que você não prestou a menor atenção no pouco que a pessoa disse.

Dica # 3: O corpo fala, logo, não precisa fazê-lo gritar. Uma aproximação de até 30 cm é compreensível, inclusive se estiver em um ambiente com música em volume alto ou com muitas pessoas em volta conversando. Menos do que 30 cm é ameaçador. Não ameace sentar no colo da pessoa, voluntária ou involuntariamente. Respeito ao outro começa pelo respeito ao espaço ocupado. Não esqueça das aulas de física: dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo.

Dica # 4: Por falar em gritar... Não grite. Se a pessoa não entender, ela pergunta. Se a música parar, pode diminuir o tom de voz também e, se você estiver muito mais próximo do que os 30 cm racionais, não é necessário MESMO gritar.

Dica # 5: Você pode ser uma pessoa realmente interessante. Ok, não são todos no mundo que tiveram a oportunidade de saltar de pára-quedas em céus australianos, mas atente-se a uma das regras do jornalismo: nem toda informação é notícia. O prêmio sorteado na sua empresa que você NÃO ganhou é dispensável.

Dica # 6: Roupa de mulher não é barata, o tecido é delicado e se você não entende nada sobre lavanderia, não aplique desafios aos tira-machas. Cuidado com copos de bebida e sapatos sujos que pisam o vestido: dá trabalho, estraga para sempre e é prejuízo – para ela, que perderá um dos seus trajes favoritos, e seu, que ficará, no máximo, com um número de telefone errado...

Dica # 7:
Por favor, isso é muito importante: Entenda os sinais. Se a pessoa se afasta, não é um desafio à física nem um teste para saber se você está realmente interessado. Tombar no sofá, se você não está beijando a pessoa, nada mais é do que um “back off” ou, em português claro:DESGRUDA.

7.1. – Se as respostas tornarem-se constantemente monossilábicas, se a pessoa não olhar mais para você, se estiver mais interessada na conversa do lado do que na sua e começar a lançar olhares suplicantes para os conhecidos e desconhecidos que estão à volta, o papo não está agradando.

7. 2. – Se perceber que a pessoa está com o pensamento longe e que, mesmo com os 750 decibéis escolhidos para gritar no ouvido da pessoa, que não está mais longe do que 10 centímetros da sua boca, se ela pede 2 ou 3 vezes para você repetir o que acabou de dizer, são duas as opções: Ou ela está pensando em uma forma de se livrar de você, ou ela está pensando em coisas muito melhores que poderia estar fazendo naquele momento, como depilar virilha, limpar banheiro ou como ela vai fazer para limpar o vestido que você está pisoteando.

Por último, e não menos importante:
Dica # 8: Por favor, não cuspa quando for falar: é nojento, a pessoa é pega desprevenida – sim, em todos os momentos, não há ainda um protetor para isso – e estraga a maquiagem.

sábado, 1 de novembro de 2008

Ela não sabe como fazer pra chegar lá. Não tem mapa, GPS ou guia... Já percebeu que pelo andar da carruagem, o caminho é longo e o percurso, confuso, cheio de obstáculos e monstros. Além de inúmeras sugestões para retornar ao ponto de partida. Mas sabe o que quer. E porque quer.
Ela é corajosa. Acha que é. Quer ser.

Não vai voltar para trás, muito menos ficar no meio do caminho. Começou, termina.
Descanso, sim, fará, porque é pessoa determinada mas não é de ferro. Para isso leva água, alimento e amigos. Usa um sapato confortável mas leva na mochila o modelito perfeito para usar quando cruzar a faixa de chegada.

Encontrou no meio do trajeto pessoas que desistiram e pararam no caminho, por medo, receio, preguiça. Alguns a convidam a parar também, voltar para trás, outros tentam induzi-la a ter medo também e a achar que o fim da trilha não existe.

Mas teimosa como é, não dá ouvidos. Se entristece de quando em quando, pois sabe que não é tarefa fácil. Ainda vai encontrar mais pessoas no caminho, pessoas sem a força e a determinação que ela se exige. Mas botou na cabeça que vai chegar no final da prova. Não quer ser a primeira colocada, só quer o prêmio final. Que sabe que está lá esperando por ela.
Ela chega lá.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Últimos ainda são os primeiros...

Os cavalinhos saem em disparada... uns mais velozes, outros menos...
Cada um com seu jeito de galopar...
O azarão, no entanto, dado como favorito, continua parado, dentro da coxia, estancado, observando e estudando o espaço. Estudando.
As apostas estão ainda todas no azarão. Ele sabe disso. Mas os apostadores, com seus trajes sociais e elegantes começam a desconfiar de que jogarão seu dinheiro fora.
Azarão, sai dessa coxia, mostra que corre como os outros, que galopa mais, que vai ganhar a parada, as apostas, a garota.

domingo, 31 de agosto de 2008

Odeie o seu ódio?

Olhou para a assadeira que agora tinha o brilho reluzente de uma boa notícia. Não se refletia no brilho. Boa notícia de outrem. Passara os últimos momentos esfregando com a força e determinação de quem tenta se expurgar de sentimentos ruins. Tentou, em vão, eliminar a vermelhidão do rosto, manchado de raiva, mas não conseguiu transferir para seus dedos os calos que tinha em seu coração.
Entrou no chuveiro, sem esquecer-se da cena do dia anterior, que reverberou até a pia ficar tão vazia quanto se sentia agora, e procurou algo para eliminar-se de seus cravos, que tomavam as costas, cotovelos e a parte de trás de suas coxas. Precisava polir-se, da mesma forma que havia feito na cozinha, mas não conseguiu se desvencilhar da cena.

A notícia lhe caíra como uma comida que lhe faz mal de imediato, corroendo por dentro e reluzindo apenas no seu denunciante rosto.
Raiva e rancor tomaram conta de suas bochechas e idéias. O mundo ficou mudo e parado, enquanto a fala batia dentro de si como uma música de seqüências eletrônicas e extasiantes. Como sempre, escondeu-se na sua máscara preferida, que se usa de uma piada e da fama de boa pessoa para não transparecer seus piores sentimentos. A piada se valeu da sugestão de uma cena e que, se colocando como coadjuvante da situação, encontrou-se figurante, e sentiu o ridículo em si. Odiou-se. Odiou a quem não deveria odiar, e assim odiou-se novamente. E o mundo, que até então sumira, reaparecera para rir de sua pessoa, tirando toda e qualquer dúvida do ridículo em que se encontrava.

Esfregava-se agora com a fúria de quem se humilha e que tenta se limpar disso, mas parou ao perceber que estava com rancor a mais e quase uma camada de pele a menos.
A cena ainda reverberava. Encontrou-se, como sempre, na dualidade dos seus pensamentos, nos questionamentos duplos, na cena que sempre se enxergava: em meio a uma estrada deserta de mão única e duas opções, sem placas sobre o destino final, sentindo as árvores rindo-se ao pensarem que poderia ficar ali pela eternidade de sua dúvida, esperando o regresso de quem foi para contar-lhe o que vira e ajudar então a decidir seu caminho.

O brilho da assadeira não durará para sempre, em breve os cravos de suas costas retornarão e os cotovelos, de tanto segurar a força do dia a dia apoiado no queixo, voltarão a ficar espessos. A dúvida enfraquecerá, dando lugar a tantas outras. A cena no entanto, permanece, no receio, em evidências, na imaginação que cria situações mesmo quando estas são simplificadas pela fala do mesmo interlocutor.
A estrada também permanece. Até encontrar outra dúvida para se agarrar e viver o seu tão desejado sofrimento.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Não é minha, mas pretendo que seja...

"A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade".

terça-feira, 24 de junho de 2008

- Você está apagando as lembranças que tem de mim?

- Estou.

- E o que vai fazer quando precisar lembrar de mim?

- Eu não preciso lembrar. Eu preciso esquecer.

sábado, 14 de junho de 2008

Gorjeta de 20 reais

No mínimo era o que merecia o rapaz da pizza de ontem...

Sempre peço pizza num lugar que é só atravessar a rua e está entregue. Juro, não gasta nem sola de sapato. Dois reais de gorjeta é muito até (confesso que às vezes, quando estou sem troco, os entregadores ficam a ver navios...). Mas o rapaz de ontem merecia 20, ou 200...

Enquanto passava o valor para a maquininha do VR Smart, ele me disse que já me conhecia (hein?). Perguntei de onde e no final das contas eu, quando trabalhava perto de casa e levava 5 minutos para chegar em casa - a pé - passava na frente da pizzaria que ele trabalhava...

Sim, ele lembra de mim de um caminho que não faço mais há quase um ano (aliás, bons tempos aqueles, pena que pagavam mal...).

Bom, ou eu parecia uma louca e chamei atenção por falar sozinha, gesticular ou xingar alguém do escritório (claro, sempre sozinha) ou até que ainda dou um caldo.. hahah

Só para registrar: ele era bem gatinho!!

sábado, 17 de maio de 2008

Eu confesso...

Essa semana nasceu o baby da minha chefe. O motivo de algum dos posts atrás...

Fui conhecê-lo.

E ele é lindo. Perfeito, e eu não conseguia fazer o social exigido na ocasião, já que não fazia outra coisa a não ser admirar como uma coisinha tão pequena podia ser tão perfeitinha...


Pouco antes da visita, fui atrás de um presentinho... Queria um All star número um. Me decepcionei ao descobrir que eles só produzem a partir do número 16 (o que serve para uma criança de uns 3, 4 anos). Se na loja já me encantei com as calças jeans, as camisetas, os sapatos, as jaquetas de frio, imagina na maternidade...


E admito: apesar de ainda não me convencer da atuação para o pós "mããããe, acabeeei", deve ser muito legal ter o seu próprio remelentinho.. E Luquinhas realmente não combina tanto com um labrador...


(licença para o empréstimo das expressões alheias)

sábado, 3 de maio de 2008

E esse vai ser o texto mais sincero que você encontrará aqui...


Semana passada estava vendo um filme que ensaiei meses para assistir. Talvez as coisas aconteçam apenas quando devem acontecer, por motivos simples e por motivos complexos. Dessa vez acho que o motivo foi bem simples. Foi por um insight, apenas.

Ensaiei tanto ou mais para escrever sobre o insight que tive durante o filme. Por ele – e não pela trama em si – tive que disfarçar a garganta fechada, o incomodo no nariz, a voz de gralha que apareceu de repente.

Não sei se todo mundo se compara a tudo que vê – ficcional ou na vida real – mas eu faço. Sempre. E o insight me mostrou que dessa vez eu não precisaria sonhar acordada, ou ficar triste. Ele me mostrou que eu poderia fazer uma comparação e ficar feliz.

Eu tive, como a heroína adolescente do filme, um amor juvenil. Desses, de filme de sessão da tarde. O amor do colega de escola, puro, sincero e livre. O primeiro namorado, que me levava chocolate e me dava beijos na testa (pode ter a cantada mais barata, mas me deu beijo na testa, o cara está aprovado).

Só quero escrever para dizer o quanto fui feliz e sou por isso. E é só isso. Eu tive um amor adolescente. E foi lindo, e foi como de filme. E acabou. E está tudo bem.

Carinho por ele levo para sempre e saudades a gente alimenta, para manter a vida mais bela.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

É antigo, mas está bonitinho e merece ser post...

Havia tido outro sonho...
Só que dessa vez, o oposto do sonho anterior.
O fundo cor de rosa expressava a sensação de felicidade que sentia a cada olhar, a cada abraço, a cada beijo.
Sentia em sua pele a pele dele, pelos seus olhos enxergava nos dele tudo o que sempre desejara.
E os olhos dele respondiam a tudo.
Claro que sentia aquele medo costumaz.
Mas era um medo suave, tranqüilo, cheio de esperança, daqueles gostosos de sentir.
O sonho durou a noite toda.
E ao acordar, lembrou-se de que tudo não passava do mesmo sonho que ela tinha todos os dias, e não durante as noites.
Sonhava acordada. Eram as mesmas imagens, as mesmas sensações, os mesmos sentimentos.
E se era algum sinal? E se não era sinal algum? Já não importava mais. Já não buscava mais sinais, já que a própria realidade havia dado todas as respostas.
O que importava é que por mais uma vez havia se entristecido.
Passou o dia todo esperando por um abraço.
E foi dormir rezando para ter pesadelos violentos e assustadores, porque sonhos cor-de-rosa lhe assustavam demais.